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domingo, 10 de julho de 2011

Transplante de Cabeça - Quebrando Barreiras


Sinópse:

Pode parecer coisa de ficção científica mas o que é certo é que já existe muito pouco no corpo humano que não possa ser transplantado, à excepção do cérebro, o órgão humano por excelência. Este documentário surpreendente que o Odisseia lhes apresenta traça o estranho caminho entre cientistas dos Estados Unidos e da Rússia desde a década de 1960 até aos nossos dias por ser o primeiro a ter êxito com os transplantes de cabeça. Com imagens assombrosas nunca antes vistas, como as de um cão de duas cabeças e outros arquivos pessoais que tinham permanecido ocultos, este documentário irá extrair a ciência da ficção científica e irá contar a fascinante história do neurocirurgião norte-americano, Robert White, e o seu rival russo, o professor Demikhov, dois casos médicos extraordinários que conseguiram transplantar cabeças com êxito.

A memória decifrada

Com a experiência brasileira dos mais de 130 transplantes do Instituto do Coração, em São Paulo, e sem uma única história desse gênero para contar, a psicóloga Belkiss Romano endossa a posição de Schroeder e acrescenta: "O sentimento não está no coração". Belkiss diz ter visto, muitas vezes, uma radical mudança nas atitudes dos transplantados, a começar por um número relativamente alto de separações de casais. Mas não a surpreende que um cinqüentão de coração novo comece a gostar de rock: ele ganhou uma nova vida "e descobriu, quem sabe, que antes era um chato e agora quer ser legal". E há ainda posições como a do biólogo inglês Rupert Sheldrake, que não crê em memória das células mas imagina outra forma de transferência, explicada em sua teoria dos campos mórficos. Esses campos seriam estruturas que se estendem no espaço-tempo moldando a forma e o comportamento de todos os sistemas no mundo material (ver Galileu 91).

Um sério problema da teoria de Pearsall é que células e memória são assuntos já muito estudados e criar novas teorias é comprar uma briga feia. "Essa história de memória celular não faz nenhum sentido", resume o professor Gilberto Xavier, do Instituto de Fisiologia da Universidade de São Paulo. Como ele explica, há cerca de 100 bilhões de células nervosas atuando no cérebro, cada uma delas recebendo ao mesmo tempo projeções (impulsos eletroquímicos contendo informação) de cerca de 20 mil outras, e projetando-se (isto é, passando esses impulsos eletroquímicos) para outras 20 mil. Essa transferência de informação depende de um aparato que inclui substâncias neurotransmissoras (agentes químicos) , proteínas (usadas na síntese dessas substâncias), o armazenamento dessas substâncias em vesículas.

Quando chega um impulso elétrico, a vesícula lança seu conteúdo no espaço entre duas células; este é captado por um receptor e vai produzir alterações na célula seguinte (um processo denominado sinapse). E onde ocorrem esses processos? Em vários pontos, mas todos dentro do cérebro. As memórias visuais, por exemplo, no córtex occipital, na parte de trás do crânio. As auditivas, no córtex temporal (os dois lados das têmporas). "E não há corpos celulares desse tipo, altamente especializado, fora do cérebro", lembra Xavier. Ou seja, não há espaço para se fazer transferência de memória através de simples transferência de um órgão.


A explicação esclarece grande parte do problema, mas outros episódios estranhos continuam à espera de explicação - não só memórias mas, também, a inesperada recuperação de doentes terminais em hospitais. Talvez a solução venha, um dia, da neuroimunologia - a área que estuda como as células se organizam para defender-se de corpos estranhos. Já se constatou que o sistema imunológico de pessoas otimistas funciona melhor do que o das deprimidas. A ação de grupos teatrais em hospitais comprova que a felicidade faz uma criança recuperar-se melhor, sugerindo uma relação entre o funcionamento cerebral e o imunológico. Há uma chance, também, de que no futuro o problema desapareça, com o surgimento do neo-órgão - uma cópia do próprio órgão do paciente, desenvolvida em seu organismo a partir de suas células sadias. Haverá então um renascimento, em vez de transplante, eliminando-se os problemas do doador, da fila, da cirurgia e do risco de rejeição. E o paciente que sair curado do hospital será, indiscutivelmente, ele mesmo.

(Fonte: Galileu)

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