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quinta-feira, 4 de março de 2010

Ária "Voi che sapete" da Ópera Le Nozze di Figaro de Mozart & "Erros meus, má fortuna, amor ardente" de Luiz Vaz de Camões



"Erros meus, má fortuna, amor ardente"

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas, que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

(Luis Vaz de Camões)

Afinal quem nunca morreu de amores na adolescência e depois percebeu os erros cometidos?

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